Eliseu Gabriel
As matérias de capa do Jornal Nosso Bairro – “Conveniências inconvenientes” e “Pequenos Comércios de Bairros em Cheque” – são alertas importantes.
Quero, primeiramente, parabenizar o Jornal não só pelo conteúdo, mas principalmente por saírem em defesa dos pequenos comerciantes de bairro, que sempre foi uma das minhas bandeiras.
Redes, algumas ditas de conveniência, e até hipermercados, boa parte controladas por capital de fora do Brasil, vão se estabelecendo, sem controle algum, em centros comerciais tradicionais, construídos durante décadas, e praticam toda sorte de artimanhas que levam os locais à ruína.
Aliás, isso não é permitido em países mais avançados.
As lojas e serviços criados localmente geram grande quantidade de empregos e trabalho de mais qualidade, distribuem melhor a renda, mantêm investimentos na região onde atua, dão atendimento diferenciado aos moradores, preservam os relacionamentos, os costumes e a cultura locais.
Acertadamente, o Jornal Nosso Bairro diz: “O preço dessa “conveniência” para a região é que a cada loja dessas famosas que abre, de 5 a 7 pequenos comércios fecham”. Os empregos que elas criam são, em geral, mais precários, algumas realizam o famoso “dumping” até quebrar a concorrência.
Para reverter isso, duas ações têm que ser feitas:
1ª. A união dos empresários locais com dois objetivos. Primeiro, buscando atuação conjunta por melhorias locais, compras conjuntas etc. Segundo, buscando melhorias na qualidade dos produtos, no atendimento, nos preços, esclarecendo a população das consequências futuras dessa invasão: preços mais caros, desemprego, descaracterização do bairro, menos segurança nas ruas.
2ª. Atuação junto ao poder público em busca de soluções, legislação e apoio para, a exemplo de países mais avançados, evitar a destruição dessa atividade fundamental que atua em todos os cantos de nossa Cidade.
Eu mesmo já entrei com projetos de lei nessa linha.
Eliseu Gabriel é vereador de São Paulo, morador de nossa região.
